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Quanto vale a sua reputação?
Ela pode interferir nas cotações da bolsa,
derrubar alguns ministros e nomear outros, alavancar negócios,
abrir (ou fechar) portas, enfim, ela dá as cartas e
quase move montanhas. Ela pode ser pessoal, aquela que todos
nós, queiramos ou não, trazemos agregada à
nossa própria carteira de identidade. Pode ser impessoal,
vinculada a algum produto ou equipamento, ou também
vinculada a grupos, associações, governos e
organizações de qualquer natureza. Seja ela
pessoal ou corporativa, o que há de comum entre as
diferentes modalidades, guardadas as devidas proporções,
é sua força. Falamos da reputação,
essa poderosa senhora de contornos largos e intangíveis,
alcance imensurável e impacto irrefutável.
Em um discurso na Universidade de Harvard em 2000, Alan Greenspan,
presidente do Banco Central Americano, destacou o valor da
reputação corporativa na economia de mercado:
"No mundo de hoje, onde idéias gradativamente
substituem elementos físicos na geração
de valor econômico, a competição pela
reputação torna-se uma força significativa
impulsionando a economia. Bens manufaturados podem ser facilmente
avaliados antes do fechamento de uma transação.
No entanto, para aqueles que vendem serviços, a única
garantia a ser oferecida é a própria reputação".
É possível mensurar a reputação?
No mundo dos negócios, já existem tentativas
de mensuração do "valor da reputação"
das organizações, preocupação
cada vez mais fundamentada, visto que dados de uma pesquisa
realizada pela Universidade de Oxford em out/02 indicam que
a reputação de uma empresa pode corresponder
a cerca de 40% de seu valor de mercado. Em outro estudo, conduzido
pela Universidade do Texas-EUA, realizou-se uma comparação
entre dez grupos de empresas com níveis similares de
risco e de retorno, mas com diferentes níveis de reputação.
Os resultados mostraram que uma diferença de 60% no
resultado do nível de reputação estava
associada a uma diferença de 7% do valor de mercado
dessas empresas. Considerando-se que o valor médio
das corporações avaliadas era de US$ três
bilhões, isso significa que cada um ponto de diferença
no resultado de reputação (de 6 a 7 numa escala
de 10 pontos) equivaleria a um adicional de US$ 53 milhões
no seu valor de mercado. Outro projeto foi conduzido na Universidade
de Kansas-EUA, sugerindo que o "capital reputacional"
pode envolver retornos ainda maiores. Um grupo de professores
estudou a correlação entre valor de mercado,
book value, rentabilidade e reputação de todas
as empresas listadas na revista "Fortune - As mais admiradas
empresas", pesquisadas entre 1983 e 1997. A conclusão
foi que cada mudança de apenas um ponto em reputação
estaria associada a uma média de US$ 500 milhões
em valor de mercado. Portanto, o que esses e outros estudos
têm sugerido é que a reputação
corporativa é um valioso ativo, ainda que intangível.
E que esse "ente" intangível, quando abalado
para o bem ou para o mal, consegue impactar diretamente inclusive
os valores tangíveis da organização.
Conseqüentemente, as conhecidas e não pouco freqüentes
"crises de reputação" objetivamente
alteram o valor de mercado das empresas.
Por todas essas razões, estudiosos do mundo todo têm
se dedicado não só a tentar entender o que é
a reputação corporativa mas também a
buscar mecanismos para mensurá-la e gerenciá-la.
Ao fazer esse esforço, surgem algumas discussões
entre os autores em torno de termos semelhantes, tais como
"imagem" e "identidade corporativa", entre
outros. Para alguns, a identidade corporativa estaria mais
vinculada à maneira com que determinados públicos
ligados à empresa a conceituam, enquanto que a imagem
estaria relacionada à maneira com que a própria
organização se apresenta para o público,
especialmente em sua comunicação visual. Parece
haver relativo consenso de que a reputação é
algo maior e que transcende os conceitos de imagem ou identidade.
Esses autores a entendem - posição com a qual
estamos de acordo - como algo mais amplo, duradouro e que
incorpora os dois conceitos anteriores. Ou seja - e aí
vai uma interpretação e um paralelo -, qualquer
imagem pode ser construída com uma série de
comerciais bem feitos com 30 segundos de duração,
enquanto que, muitas vezes, 30 anos não são
suficientes para a construção e consolidação
de uma boa reputação. De acordo com Charles
J.Fombrun, da conceituada Stern University - Escola de Negócios
da Universidade de Nova York, "as reputações
se formam ao longo do tempo, de acordo com a interpretação
que os observadores fazem dos padrões e ações
corporativos e, uma vez formadas, são resistentes a
mudança, mesmo diante de informações
discrepantes..."
O parecer acima nos leva a uma outra característica
da reputação. É que ela está baseada
na percepção de um conjunto variado de "observadores".
Esses observadores influentes, que são sensíveis
em relação à forma de agir de uma dada
organização, podem ser tanto os seus acionistas,
funcionários, clientes, fornecedores, comunidade, como
a própria mídia e o governo. São públicos
que podem possuir uma vinculação direta ou indireta
com a organização e são também
conhecidos como as "partes interessadas" ou os stakeholders,
em inglês. Entende-se que quanto maior a capacidade
da organização de conhecer e atender às
expectativas de suas partes interessadas, maior seu grau de
reputação. Nesse contexto, a organização
passa a ser demandada num escopo mais amplo, o da sustentabilidade.
Conceito este que contempla não só sua competência
para gerar empregos e pagar impostos mas também sua
capacidade de tentar harmonizar seu sucesso econômico
com o equilíbrio social e com a qualidade ambiental,
dentro de altos padrões éticos de atuação.
Portanto, com todas essas novas preocupações
na agenda, as organizações não podem
mais se dar ao luxo de ignorar qual é seu posicionamento
junto aos stakeholders. Mais e mais empresas estão
cientes de que sua reputação não só
influencia a aceitação de seus produtos pelos
consumidores mas também seu próprio padrão
de atratividade perante investidores e analistas, nacionais
e internacionais. Sem falar na influência sobre seu
poder de fogo para contratar e reter talentos. Pesquisas sugerem
ainda que a boa reputação resulta mesmo em melhoria
da satisfação do cliente e que esta exerce influência
na lealdade do consumidor, fator que, por fim, afeta diretamente
o bottom line da organização.
Em tempos de crise, vulnerabilidade de reputação,
escândalos corporativos e conseqüente abalo da
confiança pública perante as corporações,
dispor de mecanismos para conhecer a percepção
causada, "medir a temperatura" e ajustar o rumo
proativamente pode fazer toda a diferença. Afinal,
diz-se que, assim como a beleza, a reputação
está nos olhos de quem observa, para quem isso nada
mais é que a realidade em si. E se esses olhos estiverem
focando, agora, justamente na direção da sua
organização? Quanto vale a sua reputação?
Fontes: The Gauge, Vol.14, No.13, Maio/01.
John Elkington, Cannibals with forks, 1997.
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