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Responsabilidade Social entra no DNA das
empresas
Rogéria Taragano - Abr/2003
Felizmente parece que o discurso da responsabilidade
social corporativa está se transformando em ação
sob as mais diversas formas e resultante de diferentes forças.
Aquilo que começou com filantropia desde os primórdios
da história evoluiu significativamente nas últimas
décadas, adquiriu contornos não assistencialistas,
incorporou conceitos de sustentabilidade e traduz-se hoje
em pelo menos parte das ações de Responsabilidade
Social Corporativa.
O elemento propulsor que faz com que as empresas arregacem
as mangas e se envolvam em assuntos aparentemente não
ligados ao seu core business está muitas vezes
no altruísmo de um fundador, na vontade de mudar o
que está em volta de uma alma mais sensível
na diretoria ou o mais comum, na pressão da matriz
externa - há mais tempo engajada no conceito de que
o bom negócio é aquele que é bom para
todos e não para apenas uma de suas partes. Outra fonte
de pressão para este movimento corporativo vem claro,
de sua majestade "o consumidor" - que se ainda não
é visto e tratado assim, sabemos todos que deveria,
pois é ele quem movimenta o mercado. O consumidor que
cobrou, no passado recente, o padrão de qualidade de
produtos e a dignidade no atendimento - encabeça hoje
o movimento dos que buscam produtos que incorporem os aspectos
ambientais bem como e principalmente os aspectos sociais.
Movimentos paralelos impulsionam esta corrente de ação.
A ISO (International Organization for Standardization) também
atenta a este movimento global, discute a questão através
de um grupo formado por representantes de mais de 20 países
que se reúne há alguns meses para analisar a
necessidade, abrangência e nível de aplicação
de uma eventual norma social. Na última reunião
deste grupo mundial, ocorrida em 16 de fevereiro em Genebra,
a conclusão foi de que o encaminhamento da ISO Social
deve prosseguir (sua provável elaboração
deve levar cerca de 3 anos). O Brasil está representado
neste grupo internacional por Marcos Egydio, Superintendente
do Instituto Ecofuturo, uma ONG criada pela Cia. Suzano de
Papel e Celulose. O fórum de discussões no Brasil
tem sido o Grupo Tarefa sobre Responsabilidade Social, criado
pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
O grupo reúne cerca de 40 empresários e movimenta-se
para agregar representantes de outros grupos sociais que possam
contribuir na discussão.
Seguindo a mesma tendência mundial e a fim de manter
seus critérios refletindo o estado da arte em gestão,
a FPNQ (Fundação para o Prêmio Nacional
da Qualidade) incluiu a partir deste ano um critério
específico para "Sociedade". Este critério
avaliará as empresas no que tange a sua responsabilidade
social e ambiental, assim vistas como partes integrantes do
seu sucesso no sistema de gestão. Em 2003 a FPNQ estará
em seu 12o. ciclo de premiação, um reconhecimento
máximo do país para a excelência da gestão
nas organizações.
Pode-se dizer que, tanto a discussão em torno da ISO
Social como a inclusão do critério "Sociedade"
pela FPNQ, são fatores que representam mais um grande
empurrão para as organizações mobilizarem-se
ainda mais em torno das questões de responsabilidade
social e ambiental. No mundo já são 500 mil
as organizações que possuem a ISO 9001 e a ISO
14001 já certifica mais 100 mil organizações.
São certificações importantes, que obviamente
geram vantagens competitivas nos mercados domésticos
e internacionais. Uma ISO de âmbito social traria seguramente
os mesmos impactos para os negócios com conseqüentes
melhorias para a sociedade.
Uma recente pesquisa (out/2002), realizada pela PricewaterhouseCoopers
em conjunto com o Fórum Econômico Mundial, ouviu
992 CEOs, de 43 países, e concluiu que para 79% deles,
a sustentabilidade - crescimento econômico com responsabilidade
social e ambiental - já é tida como elemento
vital para a lucratividade de suas empresas. A razão
apontada por eles como principal fator impulsionando a sustentabilidade
está na preocupação que estes tem com
reputação e marca. Toda esta crescente movimentação
mundial demonstra que é no mínimo equivocada
a noção de que a responsabilidade socioambiental
pode ser apenas um modismo. A perpetuidade dos negócios
é vista hoje de maneira mais equilibrada. Ela está
ligada à perpetuidade dos outros elementos do mesmo
sistema: o elemento humano e o elemento ambiental. Neste sentido,
ou estes conceitos entram no DNA das organizações,
o que parece já estar ocorrendo, ou estas organizações
deixam de fazer parte do DNA deste grande sistema.
Rogéria Taragano, é
psicóloga e Mestre em Administração pela
Carnegie Mellon University (EUA), sócia-diretora da
Gecko Socioambiental (www.gecko.com.br)
e membro do grupo brasileiro que discute a ISO Social.
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